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GLOSA
DE TROVAS – Glosa de Trovas
Conquanto
exista quem ache que se trata de um subgênero poético menor, sempre
adorei trovas. Ainda tenho algumas de cor que aprendi quando ainda me
iniciava na alfabetização. Esta, por exemplo, nunca mais me saiu da
nemória, embora eu jamais tenha sabido quem
foi o seu autor. Li-a uma única vez num almanaque editado pelo Serviço
Social da Indústria, "O Sesinho", quando eu
devia ter entre cinco e seis anos: "Eu vi minha mãe rezando / Aos pés da
Virgem Maria, / Era uma Santa escutando / O que a outra Santa dizia".
Mais tarde, quando os primeiros sinais da puberdade anunciavam o
despertar dos meus instintos, li esta outra - sem
citação de autor – na enciclopédia juvenil "Tesouro da
Juventude": "A Gentil mimosa Flora / Abriu seus olhos ideais, / E seus
pés de cor d’aurora / Andam nus sobre os trigais". Houve várias noites
em que sonhei com uma imagem de uma mulher loira e fugidia a recitar
esses versos para mim. Foi, portanto, com grande interesse que li a
primeira edição eletrônica do livro de Gislaine
Canales: "Glosas Virtuais de Trovas IV".
Quando verifiquei que ainda havia mais três com o mesmo título e
conteúdo, ressenti-me comigo mesmo por não freqüentar com mais
assiduidade a Biblioteca Virtual "Cá Estamos Nós". Porém, nem tudo está
perdido, ainda hoje pretendo voltar lá. Antes disto, contudo, gostaria
de tecer breve comentário sobre este último.
Gislaine é Bacharel em Pedagogia, Licenciada em Didática, Poeta
Trovadora e Glosadora das Trovas alheias.
Mas o seu currículo é imenso e não cabe citá-lo todo aqui. Por outro
lado, gostaria de reiterar uma convicção que tomou corpo em mim quando
terminei de ler o seu livro: sem nenhum favor, as glosas da autora são –
pelo menos do meu ponto de vista – mais belas, consistentes e agradáveis
de se ler do que as próprias trovas originais. Acredito que esta citação
é suficiente para endossar esta convicção. Veja-se este primor de trova
da poeta Amália Max: "A FONTE, UM SINGELO FIO, /CONTORCENDO-SE EM
CANSAÇOS, / ENCONTRA, POR FIM, UM RIO, / ENTÃO SE ATIRA EM SEUS BRAÇOS".
Poderia existir algo mais doce, mais lindo, mais romântico do que estas
palavras? Pois podem crer que Gislaine
tornou estes versos ainda mais lindos, mais completos, mais ricos: "A
FONTE, UM SINGELO FIO, / Pelos campos deslizava, / E num doido rodopio,
/ Um lindo ballet dançava. Correndo, feliz,
cantando / CONTORCENDO-SE EM CANSAÇOS, / Ia sempre a tudo amando /
Distribuindo seus abraços.../ E em seu
caminho macio, / Suave, lindo, acariciante, / ENCONTRA, POR FIM, UM RIO,
/ E dele se torna amante. / Com ternura e com ardor, / Em melodiosos
compassos, Lhe oferece o seu amor, / E ENTÃO SE ATIRA EM SEUS BRAÇOS.
Quem, como eu, adora poesia, idolatra trovas e se encanta ao
som de rimas, os versos de Gislaine não
apenas constituem uma simples glosa, mas representam trovas dentro da
trova. Para mim, é algo como a lapidação de um diamante que chega a
ofuscar pelo brilho que emite depois de submetido àquele processo.
Faz-nos sentir que os seus versos são o corpo principal do poema. A
trova primitiva é apenas uma surpreendente cortesia da
autora/glosadora.
Outro exemplar deste rosário de pedras preciosas é a glosa da
trova de Almerinda Liporage (Tita):
"EM MEU CORPO VIAJANDO / COM OUSADIA E CALOR, / AS TUAS MÃOS VÃO
TRAÇANDO / NOSSO ROTEIRO DE AMOR". Vejam a lapidação de
Gislaine: "EM MEU CORPO VIAJANDO / Tuas mãos
fazem carinhos, / E vão amor encontrando / Felizes, em seus caminhos. /
Com essas mãos tão macias, / COM OUSADIA E CALOR / Ternamente acaricias,
/ Meu corpo cheio de amor. / Nosso sonho realizando, / Com esta carícia
ardente, / AS TUAS MÃOS VÃO TRAÇANDO / As rotas do amor da gente. / E
juntos, então amamos, / Sempre unidos com fervor. / E juntos, então,
trilhamos / NOSSO ROTEIRO DE AMOR!
Sei muito bem que tem gente com água na boca esperando por
mais. Todavia, para isto, terão de ir correndo à Biblioteca Virtual
"Cá
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