Delcy Canalles

 

SILÊNCIO
 
 
Por que ficas
assim,
tão sem palavras,
com essa quietude
que a alma
dilacera?
Eu te entendo
deveras,
quando esbarras
de encontro
ao homem – lobo,
ao homem – fera!
Silêncio,
a mudez que ora
te invade
fala aos
que vivem,
como eu,
sozinhos,
que procuram beleza,
alacridade,
mas não encontram
flores,
só espinhos...
Quando pervagas
na cidade inquieta,
entre buzinas,
palavrões,
freadas,
eu te entendo,
silêncio,
és poeta,
que chora
a dor,
que ri
das palhaçadas!
Ambos vivemos:
- alma irrequieta,
esperança falaz,
mal disfarçada,
descobrindo
o amanhã,
como um profeta,
e sonhando com a paz,
tão desejada!
Nós falamos
a linguagem
dos afetos,
marcando encontro
em meio à solidão,
tu és o companheiro
mais dileto,
pois adentraste
o meu coração!
Nós formamos
um par:
o mais perfeito,
que dispensa palavras
e sinais,
que defende
a Justiça
e o Direito,
que condena atitudes
desiguais!
Silêncio! Silêncio!
Vem comigo.
Lutemos pelos mesmos
ideais.
Preciso muito conversar
contigo,
só tu me trazes
segurança
e paz!
Silêncio.
Volta aqui!
Fala comigo!
Não me abandones,
por favor,
jamais!!!

 

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