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| ANDARILHA NOTÍVAGA Eu fujo para os bares à procura da arte, que lá se reparte de forma variada, e faço desses lugares a minha outra morada! Um a um, os boêmios vão chegando, e os problemas lá fora vão deixando num desejo honesto de esquecer. E a gente se surpreende, de repente, num mundo novo, estranho, diferente, sem o tempo sentir, sem perceber! Sempre há um violão e um cavaquinho e solistas saudosos e chorinhos, que tocam fundo nosso coração. E um chocalho, às vezes, bem humilde, improvisado na latinha triste, traz alegria e muita vibração! Alguns cantores de almas machucadas, soltam suas vozes pelas madrugadas tentando amenizar suas tristezas. E ante a chegada sempre decantada, da brisa refrescante da alvorada, falam de amor, de sonhos e incertezas! E há pessoas como eu, só nostalgia, que extravasam a mágoa que as maltrata ao declamar nas suas vãs poesias, a dor que as fere, que espezinha e mata! Assim, é dos artistas o destino, que a solidão não ousam suportar, que vivem em completo desatino de mesa em mesa, ou de bar em bar! É que os amigos que a noite oferece são puros, como puras são as preces, qual terapia a nos tranqüilizar. Não há no rol das novas amizades vãos preconceitos, falsas veleidades diferenças de cor ou religião. Há uma família, apenas, reunida, cujos irmãos festejam com bebida, o direito de serem o que são. Eu fico em verdade emocionada, minha tristeza foge encabulada, e eu chego a rir num leve gargalhar. É que vislumbro, meio deslumbrada, que sou a solitária acompanhada a ANDARILHA NOTÍVAGA do bar! |
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